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quinta-feira, 15 de abril de 2010

BEATLES, EMPRESÁRIOS, NORTHERN SONGS E A ATV MUSIC (REVISTA CULT)

BEATLES, EMPRESÁRIOS, NORTHERN SONGS E ATV

A Northern Songs foi fundada em 1963 pelo empresário Brian Epstein, o diretor musical Dick James e os integrantes dos Beatles para editar/publicar com exclusividade as canções do grupo. Isso ocorreu devido aos altos encargos tributários da Inglaterra. O "leão inglês"  ficava com cerca de 90% do valor arrecadado pela banda. Assim, o grupo escaparia do alto imposto de renda inglês e faria suas retiradas em forma de ganho de capital e não mais de renda, diminuindo a tributação sobre seus ganhos.
A opção deveu-se, também, ao fato de o produtor George Martin ter ficado insatisfeito porque a 'EMI's Ardmore  Beechwood publishing Company' não havia feito uma boa divulgação do compacto 'Love me do' e orientou Epstein a procurar outra empresa que divulgasse melhor o trabalho da banda.
Assim, Martin apresentou a Epstein  nomes de empresas que, na opinião dele, seria a melhor opção, o que levou Epstain a escolher Dick James, criando-se, então, a editora Northern Songs.
Além disso, especialistas na época, também aconselharam McCartney e demais Beatles a criar uma editora que cuidasse exclusivamente da publicação de suas canções.
A Northern Songs 'nasceu' com Dick James como acionista majoritário, com 49%, ficando Lennon com 19%, McCartney com 20% e o restante fiando com a NEMS, empresa de Brian Epstain.
Paul McCartney admitiu posteriormente que assinou todos os contratos apresentados sem ler e Lennon completou dizendo que achavam Epstain um 'expert'.
No "pacote" havia músicas de Lennon e McCartney, bem como as primeiras composições de George Harrison e com Ringo Starr assinando como participante.
No início de 1965, houve uma reestruturação da empresa e abertura de capital. Os integrantes do grupo continuaram como acionistas minoritários, com Dick James  e Charles  Silver - presidente da empresa - sendo majoritários. James sempre ganhava 10% sobre a renda bruta da empresa como taxa de gerência.
Foram criadas empresas filiais para administrar os direitos autorais em lugares onde a lei era diferente do Reino Unido - EUA, Canadá, México e Filipinas - e também foram assinados contratos com companhias da França e Austrália.
A MacLen Music Ltda, empresa que representava os Beatles legalmente, atribuiu o copyright à Northern Songs, que retornava os pagamentos dos royalties. John Lennon e Paul McCartney recebiam os direitos, mas não mantiveram o controle sobre as ações.
Quando o acordo inicial terminou, em 1968, Lennon e McCartney renovaram, o mesmo não acontecendo com George Harrison e Ringo Starr, que preferiram criar suas próprias empresas. Harrison criou a 'Harrisongs Ltda' e Ringo criou a 'Starting Musical'. Ambos não haviam ficado satisfeitos com a porcentagem que tinham após a abertura de capital da Northern Songs.
Em 1969 -  quando Allen Klein já era o novo empresário da banda, fato já explicado no post anterior -   Dick James, que já não tinha uma relação amistosa com os Beatles e em meio aos problemas que estavam acontecendo no grupo,  vendeu a empresa para a ATV.
Allen Klein tentou fazer um acordo com a ATV em nome da Apple, mas na disputa velada que se travava dentro do grupo em que de um lado estavam Lennon /Harrison/ Starr/Klein e de outro, McCartney/ Lee/John Eastman, este último enviou uma carta à ATV informando que Klein não tinha autorização para agir em nome da Apple.
John Lennon e Paul McCartney cumpriram o restante do contrato que ainda estava em vigor com a Northern Songs, cujo término foi em 1973. Por não poderem adquirir o controle da empresa a qual tinham contrato, acabaram por vender suas ações, mantendo o recebimento dos royalties de suas canções.
  
COMPLEMENTO

"Lennon e os demais Beatles foram logrados repetidamente por um monte de gente em quem confiavam. As histórias são muitas. Há o famoso Magic Alex, um amigo que convenceu Lennon e Harrison a permitir que ele usasse os motores de suas Ferraris para construir um disco voador. Há o editor musical Dick James e os investidores que terminaram tirando de Lennon e McCartney o con­trole da empresa criada para administrar seus direitos autorais, a Northern Songs. Há o caso do The Fool, um grupo de “artistas plásticos” hippies holandeses que os Beatles contrataram para dirigir as lojas de moda da Apple, das quais os artistas mãos-leves roubaram todo o estoque. O Mahari­shi, guru escolhido a dedo pelo grupo, tentou traçar a irmã da atriz Mia Farrow que acom­panhara os Bea­tles na visita deles ao ashram indiano do líder espiritual. Yoko Ono, cuja arte John Lennon ti­nha patrocinado, passou meses de campana diante da casa do Beatle, ameaçando se matar caso ele não voltasse a ajudá-la, antes que despertasse o tão romantizado amor entre os dois. Brian Epstein, empresário honesto e absurdamente leal aos Beatles até morrer, em 1967, também foi vítima da credulidade. Em 1963, negociando com a United Artists para a produção de A hard day’s night, o primeiro filme dos Beatles, ele abriu a conversa dizendo: “Vou logo avisando – não aceito menos de 7,5% da bilheteria.” O representante do estúdio, sorridente, imediatamente fechou negócio. Ele estava autorizado a oferecer 25%."

(REVISTA CULT - março/2010)

Fontes/Textos referenciais:




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